quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Flavia Liberman

A professora de terapia ocupacional Flávia Liberman propiciou uma vivência que marcou os alunos do UNIANCHIETA de Jundiaí. Com seu jeito espontâneo e criativo trouxe danças, trabalhos corporais e de improvisação que fizeram todos os participantes experimentarem uma forma sofisticada e inusitada de fazer terapia ocupacional. O vídeo abaixo mostra um pouco desta sutil sensibilidade.


quarta-feira, 8 de julho de 2009

Matéria da Folha de São Paulo

07/07/2009 - 08h34

Desconhecida, terapia ocupacional cresce

PATRÍCIA GOMES
da Folha de S.Paulo

FovestAdriana Zucker, 21, levou um ano para perceber que veterinária não era o que ela queria. Mudou de curso e de faculdade e, agora que concluiu o primeiro semestre, não tem mais dúvidas: vai aproveitar um mercado em expansão para se tornar uma terapeuta ocupacional.

A terapia ocupacional -ou t.o.- é um campo na área de saúde que cuida "do fazer das pessoas", segundo a professora Maria Auxiliadora Ferrari, coordenadora do curso do Centro Universitário São Camilo.

Ou seja, ajuda pacientes que, por algum motivo, não conseguem executar suas ações cotidianas a terem uma vida normal. Isso inclui desde funções mais simples, como torcer uma roupa, depois de uma tendinite, até outras mais complexas, como a recuperação de um dependente químico.

Unidades de saúde, consultórios particulares e consultoria a empresas são algumas das áreas em que esses profissionais podem trabalhar.

Apesar de ainda ser uma graduação desconhecida, a terapia ocupacional é regulamentada desde o fim dos anos 1960 e, principalmente da última década para cá, o campo de trabalho para os terapeutas vem se expandindo muito.

Segundo a professora Regina Rossetto, coordenadora de t.o. da Santa Casa e conselheira do Crefito 3 (Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional de SP), "está faltando gente" no mercado.

Com 25 anos de carreira, ela conta que nunca sofreu com a falta de emprego.

Segundo o Crefito 3, são 3.736 terapeutas ocupacionais habilitados no Estado de São Paulo. Desses, 1.046 estão na capital, onde o piso salarial, para uma jornada de 30 horas semanais, é de R$ 1.560.

Mesmo a maior popularização da profissão não impediu que Larissa Ferrari, 22, formanda em t.o. pelo Centro Universitário São Camilo, tivesse que explicar, muitas vezes nos últimos quatro anos, que ela não "ocupava o tempo das pessoas", mas trabalhava com promoção de saúde.

"Ninguém sabe o que é", diz Larissa, que também só ouviu falar na profissão quando um teste vocacional no ano do vestibular mostrou que ela deveria usar sua criatividade não no curso de artes cênicas, mas na terapia ocupacional.

Situação bastante familiar vive a vestibulanda Laís Magueta, 17, que, na dúvida entre enfermagem, psicologia e fisioterapia, escolheu prestar terapia ocupacional.

Numa sala de cursinho com cerca de 140 pessoas, ela é uma das poucas que vão prestar o curso e ainda não sabe ao certo o que esperar da graduação.

Das inúmeras vezes em que foi perguntada sobre o que fazia, Larissa teve trabalho para explicar que terapia ocupacional não é fisioterapia.

"Como os terapeutas ocupacionais também trabalham na área ortopédica, especialmente com a recuperação funcional dos membros superiores, muita gente confunde", afirma a terapeuta ocupacional Maria Auxiliadora Ferrari. O foco da fisioterapia, diz ela, "é o movimento", enquanto o da t.o. "é o indivíduo como um todo".

Apesar de ambas as áreas estarem reunidas em um mesmo conselho federal, o Coffito (Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional), uma não é ramificação da outra. "A t.o. é uma profissão com corpo científico e conhecimento próprio", diz a professora Regina Joaquim, coordenadora do curso da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). "Nos consideramos primos", diz a conselheira do Crefito 3.

Cursos

Assim como o mercado, a oferta de cursos também cresceu. Segundo dados do Inep (órgão de pesquisas do Ministério da Educação), havia, em 1999, 26 cursos presenciais de terapia ocupacional em todo o Brasil. Hoje, são cerca de 60.

O número de concluintes, ainda segundo o Inep, quase triplicou de 1999 para 2007: saltou de 381 para 1.062.


postado originalmente em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u591673.shtml

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Mais de 500 brinquedos arrecadados

A gincana da terapia ocupacional do Unianchieta chegou ao fim. Os alunos do curso mostraram todo seu potencial criativo e de mobilização social. A arrecadação de brinquedos para um projeto que realizaremos no bairro do Varjão em Jundiaí chegou ao número de 560 brinquedos arrecadados.
A equipe que ficou na primeira colocação foi formada pela Fabi, Mirela , Camila R. e Tati Negri. Parabéns a todas as equipes, considero todas vencedoras.
Abaixo coloco imagens da gincana. Isto são alunos de terapia ocupacional.

brinquedos de sucata




segunda-feira, 1 de junho de 2009

Imagens do Inconsciente

Nesse livro Nise da Silveira fala de sua teoria de investigação das imagens do inconsciente e apresenta sua metodologia de estudo biográfico dos pacientes por ela estudado.
Este livro foi escrito num período muito difícil da vida da psiquiatra que teve a ameaça de ficar cega por uma doença oftalmológica que lhe atingiu nesta época. Curada desta patologia, ficou com uma sequela que dificultou sua visão pelo resto da vida.
Outra curiosidade neste livro é que ele foi traduzido para o inglês e foi revisado nas terminologias junguianas por Marie-Louise Von Franz, discípula direta do próprio psiquiatra suiço Carl Gustav Jung.
O livro é extremamente cuidadoso no respeito com as fontes de pesquisa e mostra a retidão científica da doutora Nise da Silveira.
Como "Missão Possível" peço que tragam na quinta-feira um exemplar deste livro para a aula (vale 2 pontos). Se duas equipes trouxerem valerá a equipe que trouxer a edicão mais antiga.



terça-feira, 26 de maio de 2009

É brincando que se aprende... (texto de Rubem Alves)

No meu tempo parte da alegria de brincar estava na alegria de construir o brinquedo. Fiz caminhõezinhos, carros de rolemã, caleidoscópios, periscópios, aviões, canhões de bambu, corrupios, arcos e flechas, cataventos, instrumentos musicais, um telégrafo, telefones, um projetor de cinema com caixa de sapato e lente feita com lâmpada cheia d’água, pernas de pau, balanços, gangorras, matracas de caixas de fósforo, papagaios, artefatos detonadores de cabeças de pau de fósforo, estilingues.

Fazendo estilingues desenvolvi as virtudes necessárias à pesquisa: só se conseguia uma forquilha perfeita de jaboticabeira depois de longa pesquisa. Pesquisava forquilhas - as mesmas que inspiraram Salvador Dali - exercendo minhas funções de ´controle de qualidade´ - arte que alguns anunciam como nova mas que existiu desde a criação do mundo: Deus ia fazendo, testando e dizendo, alegre, que tinha ficado muito bom. Eu ia comparando a infinidade de ganchos que se encontravam nas jaboticabeiras com o gancho ideal, perfeito, simétrico, que existia em minha cabeça. Pois ´controle de qualidade´ é isso: comparar o ´produto´ real com o modelo ideal. As crianças já nascem sabendo o essencial. Na escola, esquecem.

Os grandes, morrendo de inveja mas sem coragem para brincar, brincavam fazendo brinquedos. As mães faziam bonecas de pano, arte maravilhosa hoje só cultivada por poucas artistas. As mães modernas são de outro tipo, sempre muito ocupadas, correndo prá lá e prá cá, motoristas, levando as crianças para aula de balê, aula de judô, aula de inglês, aula de equitação, aula de computação - não lhes sobra tempo para fazer brinquedos para os filhos. ( Será que as crianças de hoje sabem que os brinquedos podem ser fabricados por eles?). Hoje, quando a menina quer boneca, a mãe não faz a boneca: compra uma boneca pronta que faz xixi, engatinha, chora, fala quando a gente aperta um botão, e é logo esquecida no armário dos brinquedos. Pobres brinquedos prontos! Vindo já prontos, eles nos roubam a alegria de fazê-los. Brinquedo que se faz é arte, tem a cara da gente. Brinquedo pronto não tem a cara de ninguém. São todos iguais. Só servem para o tráfico de inveja que move pais e filhos, como esse tal ´bichinho virtual...´

Fiquei com vontade de fazer um sinuquinha. Naquele tempo não havia para se comprar. Mesmo que houvesse não adiantava: a gente era pobre. Como tudo o que vale a pena nesse mundo, a fabricação começava com um ato intelectual: pensamento: quem deseja pensa. O pensamento nasce no desejo. Era preciso, antes de construir o sinuquinha de verdade, construir o sinuquinha de mentira, na cabeça. Essa é a função da imaginação. Antes de Piaget eu já sabia os essenciais do construtivismo: meu conhecimento começava com uma construção mental do objeto. Diga-se, de passagem, que o homem vem praticando o construtivismo desde o período da pedra lascada. Piaget não descobriu nada: ele só descreveu aquilo que os homens ( e mesmo alguns animais ) sempre souberam.

Era preciso uma táboa larga e plana, flanela, madeiras e borracha de pneu de bicicleta para as tabelas; as caçapas seriam feitas de meias velhas. As bolas, de gude. Os tacos, cabos de vassoura. Preparei-me para fabricar o objeto dos meus sonhos. Meu pai, que era viajante, estava em casa naquele fim de semana. Ofereceu-se para me ajudar, contra a minha vontade. Valendo-se de sua autoridade, tomou a iniciativa. Pegou do serrote e pôs-se a serrar os cantos da tábua, no lugar das caçapas. Meu pai operou com uma lógica simples: se um buraquinho pequeno, que mal dá para passar uma bolinha, dá um ´x´ de prazer a uma criança, um buraco dez vezes maior dará à criança dez vezes mais prazer. E assim pôs-se a serrar buracos enormes nos ângulos da tábua. Eu protestava, desesperado: ´ - Pai, não faz isso não!´ Inutilmente. Confiante no seu saber ele levou a sua lógica até as últimas consequências. Fez o sinuquinha. Só que nunca joguei uma única partida com os meus amigos. Por uma simples razão: quem começava o jogo encaçapava todas as bolinhas. Com buracos daquele tamanho, não tinha graça. Era fácil demais. A facilidade destruiu a alegria do brinquedo. A alegria de um brinquedo está, precisamente, na sua dificuldade, isto é, no desafio que ele apresenta.

Deliciei-me com uma estoria do ´Pato Donald´. O professor Pardal, cientista, resolveu dar como presente de aniversário ao Huguinho, Zezinho e Luizinho, brinquedos perfeitos. Fabricou uma pipa que voava sempre, mesmo sem vento. Um pião que rodava sempre, mesmo que fosse lançado do jeito errado. E um taco de beisebol que sempre acertava na bola, mesmo que o jogador não estivesse olhando para ela. Mas a alegria foi de curta duração. Que graça há em se empinar uma pipa, se não existe a luta com o vento? Que graça há em fazer rodar um pião se qualquer pessoa, mesmo uma que nunca tenha visto um pião, o faz rodar? Que graça há em ter um taco que joga sozinho? Os brinquedos perfeitos foram logo para o monte lixo e os meninos voltaram aos desafios e alegrias dos brinquedos antigos.

Todo brinquedo bom apresenta um desafio. A gente olha para ele e ele nos convida para medir forças. Aconteceu comigo, faz pouco tempo: abri uma gaveta e um pião que estava lá, largado, fazia tempo, me desafiou: ´ - Veja se você pode comigo!´ Foi o início de um longo processo de medição de forças, no qual fui derrotado muitas vezes. É preciso que haja a possibilidade de ser derrotado pelo brinquedo para que haja desafio e alegria. A alegria vem quando a gente ganha. No brinquedo a gente exercita o que Nietzsche denominou ´vontade de poder´.

Brinquedo é qualquer desafio que a gente aceita pelo simples prazer do desafio - sem nenhuma utilidade. São muitos os desafios. Alguns são desafios que tem a ver com a habilidade e a força física: salto com vara, encaçapar a bola de sinuca; enfiar o pino do bilboquê no buraco da bola de madeira. Outros tem a ver com nossa capacidade para resolver problemas lógicos, como o xadrez, a dama, a quina. Já os quebra-cabeças são desafios à nossa paciência e à nossa capacidade de reconhecer padrões.

É brincando que a gente se educa e aprende. Cada professor deve ser um ´magister ludi´¸ como no livro do Hermann Hesse. Alguns, ao ouvir isso, me acusam de querer tornar a educação uma coisa fácil. Essas são pessoas que nunca brincaram e não sabem o que é o brinquedo. Quem brinca sabe que a alegria se encontra precisamente no desafio e na dificuldade. Letras, palavras, números, formas, bichos, plantas, objetos (ah! o fascínio dos objetos!), estrelas, rios, mares, máquinas, ferramentas, comidas, músicas - todos são desafios que olham para nós e nos dizem: ´Veja se você pode comigo!´ Professor bom não é aquele que dá uma aula perfeita, explicando a matéria. Professor bom é aquele que transforma a matéria em brinquedo e seduz o aluno a brincar. Depois de seduzido o aluno, não há quem o segure.

Professor bom não é aquele que dá uma aula perfeita, explicando a matéria. Professor bom é aquele que transforma a matéria em brinquedo e seduz o aluno a brincar. Depois de seduzido o aluno, não há quem o segure.

Para saber mais sobre Rubem Alves clique aqui.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A diversão de brincar e contar histórias em um hospital

O programa Caminhos Alternativos da rádio CBN apresentou no sábado uma excelente matéria sobre o uso do brincar e da contação de histórias em um hospital dia para crianças com distúrbios mentais no Hospital das Clínicas em São Paulo.
Clique aqui para escutar o programa na íntegra.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Brincadeiras Tradicionais e contemporâneas

O resgate do brincar passa necessariamente pela oportunidade de conhecer as brincadeiras tradicionais, das gerações anteriores à nossa – aquelas brincadeiras que aconteciam na rua, parques e praças, de forma espontânea, brincadeiras das diferentes regiões do país e de outras culturas.

Brincadeiras de Criança

Pieter Brueghel (1560)





Prova para as Células:

Fazer um vídeo de 1 a 2 minutos de duração com os temas falado abaixo.

Dicas para filmar, ficar com a câmera o mais parado possível observando a brincadeira da criança, ficar com a câmera na mesma altura que as crianças estão brincando.

Se não encontrar crianças que saibam fazer a brincadeira, ensine, experimente...

Sempre pedir autorização para os responsáveis pelas crianças para fazer a filmagem.

Leve de uma forma que vc possa mostrar no dia da gincana (vale celular, pen drive, cd, dvd). Poderá também ser publicado no youtube e ser enviado por e-mail (será publicado no blog).

Nayara – Bete – Cris: filmar uma criança ou mais jogando jogo das 5 marias (trinhola, jogo das pedrinhas).

Tati Negri – Fabi, Mirela – Camila R.: filmar crianças brincando de amarelinha.

Gisele – Melina – Willian – Ligia: filmar crianças brincando de corre cotia.

Marcela – Bruna – Aline – Débora: filmar crianças brincando de pula mula.

Marta – Neia – Sonia – Magna: filmar duas crianças jogando com o jogo da cama de gato

Agda, gislaine, Zélia, Jaqueline: filmar crianças jogando taco.

Lais, Rafaela, Jussara, Camila: Filmar crianças brincando de cabo de guerra.

Dayse, Priscila, Diana, Tathiana Salmaso: filmar crianças soltando pião

quinta-feira, 21 de maio de 2009

1ª Gincana de Terapia Ocupacional do Unianchieta

Esta Gincana faz parte da disciplina Dinâmicas e Abordagens Grupais em Terapia Ocupacional do 5º período de TO do Unianchieta. É uma fórmula dinâmica e motivadora para atingir os objetivos curriculares e desenvolver a capacidade de iniciativa e criatividade dos alunos. 
A gincana inicia pela internet no dia 21 de maio e vai até o dia 4 de junho de 2009. Nos dias 28 de maio de 4 de junho de 2009 realizaremos as provas no período da manhã no campus da Unianchieta.
Dividiremos os alunos em 7 células de 4 alunos e uma célula de 3 alunos. 
Depois juntaremos duas células e formaremos 3 grupos de 8 e um de 7 alunos. Esta fórmula é para trabalhar com a idéia de cooperação com pessoas diferentes e variadas, desenvolvendo assim a capacidade de adaptação a novas situações.
Existirão provas para células e outras provas para os grupos.
A organização dos grupos será feito sempre juntando o primeiro colocado com o último, o segundo com o sétimo, o terceiro com o sexto, o quarto com o quinto na hora que realizar a prova.
A pontuação será sempre 3 pontos para o primeiro colocado na prova, 2 para o segundo, 1 para o terceiro e 0 (zero) para os demais. Terão provas de cumprir a tarefa que será pontuada com 1 para quem cumprir e 0 (zero) para quem não cumprir.
Existirão provas especiais (missão impossível e outras que terão pontuação especial e que será divulgada antes da realição das provas).
Faremos provas diárias que serão divulgadas no canal de vídeo online deste blog e enviadas por e-mails para os representantes de cada célula.
Adequações técnicas nestas normas poderão ser feitas pela equipe de organização e será postada neste blog com antecedência e divulgado para todos os alunos.
Boa sorte para todas as células (equipes) participantes.
Use o espaço de comentários deste blog para tirar suas dúvidas sobre a gincana. Os e-mails para a organização (pompeuesilva@gmail.com) deverão ser enviados sempre pelo capitão da célula.

sábado, 16 de maio de 2009

Heliana Contadora de Histórias

 

Heliana Castro Alves é Contadora de Histórias e Terapeuta Ocupacional com aperfeiçoamento em arte-terapia. Ao entrar na faculdade, começou a contar histórias através de uma ONG que trabalhava com crianças em situação de vulnerabilidade social. Desde então, não parou mais, variando seu público e os espaços onde ocorrem as narrativas - livrarias, bibliotecas, escolas, eventos.
No mestrado, trabalhou contos de fadas com crianças vítimas de violência, o que possibilitou unir a arte de contar histórias e encantar os seres humanos, com sua formação como terapeuta ocupacional. Atualmente é docente da Universidade Federal do Triângulo Mineiro e está desvendando os mistérios de Minas Gerais.
Heliana nos convida aqui a recontatarmos com a velha bruxa sábia que habita a alma feminina, presente nas histórias populares, e que nos chama a sonhar...

E, no seguimento, uma linda história de sua autoria para ilustrar na prática toda essa magia...
 
A arte de contar histórias: resgate do universo
feminino e poético na sociedade contemporânea

Gostaria de começar este artigo sem as armaduras da cientificidade e sem a completa arbitrariedade da conversação vã. Falar sobre histórias - e, em especial, sobre a história das mulheres durante os séculos na sacra atividade de tecer fantasias imaginárias no cotidiano dos seres humanos - requer, antes de tudo, uma nova roupagem, um novo cenário, um novo jeito de ver o que sempre foi visto.
Convido os leitores de Absoluta para um novo universo onde reinam sapos voadores, ninfas mágicas, florestas misteriosas, ogros devoradores e magos perversos, e, não obstante, para seu próprio viver cotidiano. Para tanto, peço que cada um simplesmente se imagine na varanda de uma grande casa de campo, ouvindo as cigarras e sentindo o frescor de uma noite de verão; ou ainda sob o pé de uma lareira quente em dias de inverno rigoroso, ou (por que não?) perto de uma fogueira ao som de um violão, observando estrelas no céu. Estes são cenários necessários para se compreender o universo feminino que se construiu junto à doce e sagrada atividade de contar histórias, ao longo dos séculos.
"Era uma vez...": a porta de entrada para o imaginário se escancara e todas as possibilidades de sentir começam a se abrir para uma nova existência. Quantas histórias ouvimos antes de dormir durante nossa infância? Éramos embalados por braços afetivos, geralmente femininos (mesmo em corpos de homens), e adormecíamos nas entrelinhas dos contos que encantavam nossos sonhos. Não sabemos exatamente o que acontece, mas acontece: uma certa magia se instala quando abrimos esta porta para o imaginário. Por quê? Porque através das histórias podemos encontrar elementos metafóricos que nos remetem à nossa essência, à nossa origem, à nossa natureza interior.

A mulher moderna e sua bruxa interior - A alma feminina é retratada nessas histórias em formas de heroínas que atravessam florestas para buscar o fogo de Baba Yaga (*), que sobrevivem à perversidade de madrastas, que fogem de um destino cruel ao lado de um marido assassino de barba azul, que desafiam reis através da inteligência. A partir das histórias, encontramos valores universais que nos alertam contra um mundo que aprisiona a alma da mulher numa armadilha hostil: a sociedade moderna e patriarcal, que insiste em afastar duramente a mulher dos próprios instintos. Clarissa Pinkola Estes nos conta histórias de "mulheres que correm com os lobos": não desistem de sua natureza instintiva sobrevivendo num mundo cheio de artimanhas que tenta domesticar a alma feminina, afastando-a da arte, de si mesma, afastando-a, em suma, da seiva da sua rica vida interior.
Todas as mulheres já passaram por fases em que se sentem vazias, deprimidas, mergulhadas numa vida sem sentido, exercendo um trabalho sem significado, com um marido ou chefe que não as valoriza. Sentem-se como que morrendo, todos os dias: suas vidas se esvaindo num conta-gotas, gota por gota. E pensam que o erro é delas: não são bonitas o suficiente (porque nossa sociedade consumista trata a mulher como um objeto decorativo ao lado dos carros de marca), porque não são inteligentes o suficiente (e deixam que seus chefes ou diretores roubem sua criatividade), ou porque não têm o suficiente (carros, casa, roupas). E assim vai... As histórias falam diretamente a essas mulheres. Ensinam que o importante é SER e não TER. E "ser" na sua essência, florescendo na sua natureza selvagem.
Existe, dentro de cada uma de nós, uma velha bruxa anciã que tudo vê, tudo sente, tudo sabe. Ela nos alerta quando estamos em perigo falando-nos através de nossas fantasias, das nossas intuições, dos nossos sonhos, de nossa arte. Esta velha anciã se comunica conosco numa linguagem metafórica que habita nosso inconsciente mais arcaico e que reside, sobretudo, nos contos populares. Estes sobreviveram durante séculos e oferecem, gratuitamente, sabedoria para atravessar mares de problemas existenciais. Não é à toa que a maior parte dos contos era narrada por mulheres enquanto realizavam trabalhos manuais, como a costura, durante o desenrolar da noite - uma atividade por essência, feminina, tecida sob o luar. Estas mulheres eram velhas sábias e talvez ensinassem suas filhas e netas a sobreviverem diante de um mundo que tentava se sobrepor à alma feminina.
A mulher moderna, ao acumular papéis e responsabilidades, não deve se esquecer da sua natureza arcaica, da sua anciã que a olha por dentro com tristeza ao vê-la sobrecarregar-se e desvalorizar-se. Não deve esquecer de si mesma nos seus afazeres sem sentido, e nem se deixar mortificar o corpo e a alma para seguir os padrões de um mundo patriarcal desejoso de seu aprisionamento. A mulher que emerge na contemporaneidade deve, sim, lutar por uma vida profissional, amorosa e familiar, satisfatória (...). Satisfatória?! Satisfatória, não... Enaltecedora, inspiradora, que a faça simplesmente buscar o céu estrelado, dar risadas soltas à noite, dançar ao luar; que a impele ainda na busca da arte para alimentar sua alma, poética por essência - mesmo que não escreva, pinte ou atue, e mesmo que isso tudo ocorra aos sabores dos ciclos. Deve buscar uma vida que valorize sua vida interior... uma vida que a faça sonhar. Às vezes, tudo o que precisa é ouvir essa velha sábia contar histórias, entre ecos do seu mundo interior. E florescer poesias em cada gesto e olhar. Esta mulher deve se permitir, enfim, ler contos que enriqueçam seus sonhos e que a lembrem dos desafios da sobrevivência, para que ela se torne, antes de tudo, a heroína de sua própria história.
A alma feminina que os contos retratam é a alma do mundo, que gera e acolhe a vida dos homens; é a alma que habita o interior de antigas e enormes montanhas inertes e o barulho incessante das ondas do mar quando chegam à praia. Esta alma precisa das histórias para se refazer todos os dias, no imaginário feminino e na incessante busca da paixão de viver.

(*) Baba Yaga é uma bruxa do folclore russo: come crianças e se desloca pelos ares usando um pilão mágico e um socador no lugar da vassoura; é muito poderosa mas não consegue atravessar água corrente. Em uma das histórias russas, Vassilissa, a bela, tem uma madrasta perversa que manda pegar o fogo da bruxa para que a casa possa ficar iluminada. A heroína passa por uma série de provas e retorna vitoriosa.

Princesa
Para a princesa solitária que habita meu universo feminino

“Era uma vez uma princesa encantada que tinha nos cabelos verdes o brilho orvalhado de todas as florestas do mundo.
Era outra vez essa mesma princesa encantada. Tinha os lábios azuis, como se guardasse os sete oceanos do planeta. Ao acordar, pela manhã, saciava a sede do universo. Seus olhos eram vermelhos como fogo e sua tez de todas as cores imagináveis.
Ela era, porém, a mais solitária das criaturas.
Vagava pelo mundo, nua com seu corpo aéreo, e era invisível, tanto para os seres mais ínfimos, quanto para os seres mais colossais. Porque princesa não tinha tamanho. Era, apenas Era.
Deserta-se sem reino, sem pátria, sem voz.
Seus movimentos, leves como pensamentos.
O ventre feito de terra cheirando chuva.
E asas voláteis de sonhos inacabados.
Caminhava pelas montanhas livre e silenciosamente.
Seu silêncio vigiava a noite e contava segredos para as estrelas piscantes. Mortalmente silenciosa. Olhar vago, amplo de oceanos profundos.
Algumas vezes, princesa adormecia deitando-se sobre as formas das montanhas que a abraçavam como extensas almofadas acolhedoras.
As velhas anciãs acobertavam seu corpo com o sussurro dos ventos uivantes que, entre as árvores, entoavam melodiosas canções de ninar. Engravidava de sonhos.
Outras vezes, porém, sua alma etérea a guiava para dentro do pólen da mais pequena flor, ou para o quebranto de uma fonte de águas termas.
Ela podia se moldar à uma pedra ou às asas de um pássaro, mas sua alma estava sempre livre e silenciosa, habitando um universo insondável, cercado de mistério, sombra e luz.
Era uma vez, e será sempre,
um lugar,
uma princesa,
uma mulher,
uma forma de luz que gere, pari, verte leite e morre todos os dias para depois renascer,
em cada pôr-do-sol,
no silêncio da noite,
procriando humanidades”.

 
Heliana Castro Alves
Contadora de Histórias e Terapeuta Ocupacional com aperfeiçoamento em arte-terapia; mestre em educação especial pelo PPGEE; docente da UFTM.
helianasol@gmail.com
SÃO CARLOS/SP
Fotos
Heliana Castro Alves

publicado originalmente em:
http://www.absoluta-online.com.br/conteudo_yinsights_artigos_contadoradehistorias.html
 

terça-feira, 12 de maio de 2009

Site com informações sobre esquizofrenia

O Site do Programa de Esquizofrenia da Unifesp tem muitas informações que podem ser úteis para portadores de esquizofrenia, familiares e profissionais da área.
Você pode fazer o download gratuito da série livros Conversando sobre a Esquizofrenia.
Pode encontrar relatos como o que trago abaixo:

Todo Problema Tem Sua Solução
W.B.S.

Antes dos meus 16 anos levava uma vida normal, de repente percebi algo estranho comigo, pois estava eu em um momento de tristeza profunda assistindo TV, quando tive a impressão da televisão estar conversando comigo e dizendo que eu estava sendo filmado.

No começo achava que eu estava ficando louco, pois como a TV podia conversar comigo. Depois disse aos meus pais o que estava acontecendo, eles como eu acharam estranho. Quando depois meus pais se informaram, e descobriram que eu estava com uma doença mental chamada de esquizofrenia.

Então depois ao saber o nome da minha doença que era esquizofrenia eu procurei me informar, sobre a doença. Pois procurando na Internet sobre a doença descobri que estava com delírios e alucinações.

Então minha mãe resolveu me levar ao psiquiatra, e descobri que eu podia parar de escutar vozes e parar com os demais surtos psicóticos com os remédios (antipsicóticos).

O pior para mim não foram as alucinações e nem os delírios e sim o estigma, pois os amigos me deixaram de lado assim me sentindo rejeitado comecei a me isolar, e toda as pessoas me chamando de louco.

Assim quando eu estava em surto fechei a matricula da faculdade que entrei, pois não tinha condições de continuar a faculdade. Eu estava apavorado e inseguro, pois achava que não tinha condições de trabalhar e pensava que ia virar mendigo.

Quando sem saber, o que tinha que fazer resolvi escrever um livro sobre a minha doença (a esquizofrenia), lá tentei contar todos os sintomas da doença, o nome do livro era “Reflexões de Giovani”. E na escrita do livro me ajudou a ver melhor o que acontecia comigo que estava em meu e inconsciente que coloquei em meu livro.
Mas também percebi que não estava sozinho pois, a minha mãe e meu pai estavam ao meu lado assim me levando no psiquiatra, pois não tinha condições de ir sozinho por causa do surto.

Eu também por causa da doença me sentia limitado. Quando passou no cinema o filme “UMA MENTE BRILHANTE”. Que mostrava um grande matemático esquizofrênico que recebeu o premio “NOBEL”. Depois de assistir este filme percebi que a doença não limitava a inteligência.

E cheguei a conclusão que não era louco era apenas os sintomas da doença. Lembro quando estava no corredor esperando meu psiquiatra me chamar, vi no mural um cartas anunciando sobre a palestra sobre esquizofrenia. Lá na palestra entendi melhor o que estava acontecendo comigo.

Mas mesmo assim eu enfrentava algumas dificuldades, minha mãe achou melhor me por em uma psicóloga. O nome dela era Silvana, ela a Silvana me fez ficar mais seguro, e me ajudou a resolver meus problemas.

Eu preocupado em me virar sozinho por causa da doença resolvi ir sozinho aos meus compromissos (psicóloga e ao psiquiatra). E então percebi que eu era capaz. Mas estava preocupado em arrumar trabalho por causa da doença e cheguei a conclusão que não podia trabalhar, pois estava em crise, assim como não consegui acabar a faculdade. Então resolvi ser escritor, pois ser escritor não precisava ter um horário fixo a cumprir no trabalho, era só ter no mínimo caderno e um lápis e assim inspirado escrever e escrever.

E depois fiquei sabendo de um grupo de apoio com a TO chamada Fernanda. Lá tinha pessoas como eu (portadores de esquizofrenia), neste grupo senti apoio de todos tanto da TO quanto dos portadores, pois estava interessado em resolver meus problemas.

Hoje depois de tanto trocar de remédio acabei me acertando com Leponex, levo uma vida normal ainda escuto algumas vozes mas diminuiu a intensidade, depois escrevendo livros percebi que toda a dificuldade tem sua solução,e que todas elas temos que superar por mais difícil que seja.

sábado, 9 de maio de 2009

O estágio de terapia ocupacional no CAPS-Várzea Paulista


Estamos há 2 meses e pouco com 6 estagiários de terapia ocupacional no CAPS Várzea Paulista.
Hoje vamos postar um vídeo da inauguração do nosso laboratório de atividades e terapia ocupacional que é realizado em parceria com a UNIANCHIETA, o CAPS Várzea e a secretária de cultura de Várzea paulista.
Nesta inaguração tivemos a presença do grande artista Eufra Modesto que cantou músicas de Gonzagão e Renato Teixeira e nos presenteou com um causo.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Publicação polêmica do poeta Ferreira Gullar

Transcrevo abaixo o artigo do poeta Ferreira Gullar publicou na semana passada, vamos opinar sobre isso...

Uma lei errada
Campanha contra a internação de doentes mentais é uma forma de demagogia
ACAMPANHA contra a internação de doentes mentais foi inspirada por um médico italiano de Bolonha. Lá resultou num desastre e, mesmo assim, insistiu-se em repeti-la aqui e o resultado foi exatamente o mesmo.Isso começou por causa do uso intensivo de drogas a partir dos anos 70. Veio no bojo de uma rebelião contra a ordem social, que era definida como sinônimo de cerceamento da liberdade individual, repressão “burguesa” para defender os valores do capitalismo.
A classe média, em geral, sempre aberta a ideias “avançadas” ou “libertárias”, quase nunca se detém para examinar as questões, pesar os argumentos, confrontá-los com a realidade. Não, adere sem refletir.
Havia, naquela época, um deputado petista que aderiu à proposta, passou a defendê-la e apresentou um projeto de lei no Congresso. Certa vez, declarou a um jornal que “as famílias dos doentes mentais os internavam para se livrarem deles”. E eu, que lidava com o problema de dois filhos nesse estado, disse a mim mesmo: “Esse sujeito é um cretino. Não sabe o que é conviver com pessoas esquizofrênicas, que muitas vezes ameaçam se matar ou matar alguém. Não imagina o quanto dói a um pai ter que internar um filho, para salvá-lo e salvar a família. Esse idiota tem a audácia de fingir que ama mais a meus filhos do que eu”.
Esse tipo de campanha é uma forma de demagogia, como outra qualquer: funda-se em dados falsos ou falsificados e muitas vezes no desconhecimento do problema que dizem tentar resolver. No caso das internações, lançavam mão da palavra “manicômio”, já então fora de uso e que por si só carrega conotações negativas, numa época em que aquele tipo hospital não existia mais. Digo isso porque estive em muitos hospitais psiquiátricos, públicos e particulares, mas em nenhum deles havia cárceres ou “solitárias” para segregar o “doente furioso”. Mas, para o êxito da campanha, era necessário levar a opinião pública a crer que a internação equivalia a jogar o doente num inferno.
Até descobrirem os remédios psiquiátricos, que controlam a ansiedade e evitam o delírio, médicos e enfermeiros, de fato, não sabiam como lidar com um doente mental em surto, fora de controle. Por isso o metiam em camisas de força ou o punham numa cela com grades até que se acalmasse. Outro procedimento era o choque elétrico, que surtia o efeito imediato de interromper o surto esquizofrênico, mas com consequências imprevisíveis para sua integridade mental. Com o tempo, porém, descobriu-se um modo de limitar a intensidade do choque elétrico e apenas usá-lo em casos extremos. Já os remédios neuroléticos não apresentam qualquer inconveniente e, aplicados na dosagem certa, possibilitam ao doente manter-se em estado normal. Graças a essa medicação, as clínicas psiquiátricas perderam o caráter carcerário para se tornarem semelhantes a clínicas de repouso. A maioria das clínicas psiquiátricas particulares de hoje tem salas de jogos, de cinema, teatro, piscina e campo de esportes. Já os hospitais públicos, até bem pouco, se não dispunham do mesmo conforto, também ofereciam ao internado divertimento e lazer, além de ateliês para pintar, desenhar ou ocupar-se com trabalhos manuais.
Com os remédios à base de amplictil, como Haldol, o paciente não necessita de internações prolongadas. Em geral, a internação se torna necessária porque, em casa, por diversos motivos, o doente às vezes se nega a medicar-se, entra em surto e se torna uma ameaça ou um tormento para a família. Levado para a clínica e medicado, vai aos poucos recuperando o equilíbrio até estar em condições que lhe permitem voltar para o convívio familiar. No caso das famílias mais pobres, isso não é tão simples, já que saem todos para trabalhar e o doente fica sozinho em casa. Em alguns casos, deixa de tomar o remédio e volta ao estado delirante. Não há alternativa senão interná-lo.
Pois bem, aquela campanha, que visava salvar os doentes de “repressão burguesa”, resultou numa lei que praticamente acabou com os hospitais psiquiátricos, mantidos pelo governo. Em seu lugar, instituiu-se o tratamento ambulatorial (hospital-dia), que só resulta para os casos menos graves, enquanto os mais graves, que necessitam de internação, não têm quem os atenda. As famílias de posses continuam a por seus doentes em clínicas particulares, enquanto as pobres não têm onde interná-los. Os doentes terminam nas ruas como mendigos, dormindo sob viadutos.
É hora de revogar essa lei idiota que provocou tamanho desastre.

domingo, 19 de abril de 2009

Colóquio Unianchieta 2009


Os alunos dos cursos da área de saúde da Unianchieta apresentaram no sábado, 18 de abril de 2009 seus trabalhos de pesquisa no VI COLÓQUIO INTERDISCIPLINAR que teve o tema “Tecnologia Aplicada à Área da Saúde” .
Todos os cursos estiveram representados e coloco abaixo fotos e vídeos do colóquio.
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domingo, 5 de abril de 2009

Estudo das atividades na terapia ocupacional

Um caminho na terapia ocupacional é o estudo das atividades que usamos como tecnologia nas diversas abordagens terapêuticas ocupacionais. Estou interessado em estudar mais atividades expressivas como dança, música e teatro usadas para promover saúde mental. Falarei mais nos próximos escritos.

domingo, 22 de março de 2009

Palestra Música e Saúde

Ontem, dia 21 de março de 2009, tive o prazer de realizar uma palestra sobre música e saúde no auditório Gaó no Conservatório Musical de Salto.
Mais do que do tema que apresentei, falo do conhecimento que surgiu no debate deste assunto num público composto por músicos, educadores, estudantes de músicas,psicólogos, musicoterapeutas, estudantes de terapia ocupacional e médicos que estiveram presente na palestra. No debate das idéias apresentadas surgiram colocações sensíveis de como o estudo da música pode ajudar na cura de uma depressão ou um ritmo musical como o samba pode resgatar uma pessoa com demência de Alzheimer da apatia. Uma fala feita pela minha esposa Francine me tocou muito, "a escola no ensino fundamental fecha a porta para música". uma participação muito pertinente foi da pianista e professora Elizabeth Milanez que falou de um método que desenvolve em que pede para o aluno conversar ao mesmo tempo que toca o piano e que isso melhora sua atenção e desempenho, ela falou também dos excelentes resultados que atingiu ao dar aula para uma aluna que era portadora de ?arkinson. Percebi um interesse muito grande dos músicos em como a música funciona no cérebro. Uma pergunta que surgiu para mim e para os educadores é como a música pode auxiliar na aprendizagem, na saúde, o que a música ensina para o nosso cérebro...
Existiu um interesse muito grande em um tema que achei que ia passar desapercebido, o ouvido absoluto. Os músicos e professores de música ficaram interessados em como se descobre que uma pessoa tem ouvido absoluto e o que fazer ao descobrir isso em um aluno. Debatemos também sobre a importância da educação sensível que busca desenvolver os sentidos humanos. Outro tema foi o do uso da música como recurso terapêutico em doenças como Parkinson e Alzheimer.
Gostaria de salientar a participação dos meus colegas de aula do primeiro ano de música do conservatório de Salto e dos alunos do curso de terapia ocupacional do Unianchieta de Jundiaí que lotaram uma van para vir até Salto.
Acredito que os alunos do Unianchieta tiveram a oportunidade de presenciar uma verdadeira discussão interdisciplinar que uniu arte, ciência e educação.
Agradeço o convite do Marco Antonio de Paula Leite e da diretora do conservatório Valéria Malimpensa e posso dizer que foi uma experiência emocionante debater sobre música, saúde e educação numa manhã de sábado no conservatório municipal de Salto.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Nise da Silveira

Nise da Silveira nasceu na primeira década do século passado na cidade de Macéio no estado de Alagoas. Filha única de uma pianista e um professor de matemática, a casa de Nise na infância permanecia sempre cheia com saraus regados a muita música e conversas sobre os mais variados assuntos. Nise contou em uma entrevista para o terapeuta ocupacional pernambucano Luiz Gonzaga que sua mãe sentava ao piano à espera da visita do sabiá laranjeira ao qual ela imitava seu canto com crescente maestria. Nise estudou em um colégio católico de meninas em que o francês e o latim eram matérias obrigatórias. Apaixonou-se pela geometria, ensinada de coração pelo seu pai. Entrou com 15 anos no curso de medicina. Foi a única mulher numa turma de mais de 100 homens na faculdade de medicina da Bahia. Defendeu uma tese sobre a crimilidade feminina em uma sessão em que seu pai esteve presente. Este foi um dos últimos encontros com seu pai que faleceu pouco tempo depois. Em entrevistas Nise relata que o falecimento do seu pai foi a maior tragédia de sua vida, gostava muito de sua mãe, mas era apaixonada por seu pai, em suas palavras de psicanalista: "um Édipo caprichado".
Para buscar esquecer este fato, Nise da Silveira junto com seu primo e companheiro Mário da Silveira, navegam para a capital federal e se instalam no bairro de Santa Teresa no Rio de Janeiro. Lá foram vizinhos do poeta Manuel Bandeira e do líder comunista Otávio Brandão na rua do Curvelo.
Nise foi presa, acusada de comunismo, no presidio Frei Caneca por um ano e quatro meses durante a ditadura Vargas. Ficou na mesma cela de Olga Benário e Elisa Berger que foram deportadas para Alemanha e morreram na mão do nazismo. Durante os tempos de prisão estudou muita filosofia e conheceu pessoas muito sábias como seu conterrâneo Graciliano Ramos que a colocou como uma das personagens do livro Memórias do Cárcere em que o escritor relata seu período de confinamento na prisão.
Depois de liberada da prisão, Nise passou alguns anos na clandestinidade e escondeu-se em estados do norte e nordeste do país. Nesta época seu marido serviu como médico sanistarista em bases militares internacionais no norte da África.
Em 1944, com a volta do regime democrático ao país, Nise da Silveira reassumiu sua vaga no serviço psiquiátrico que tinha ingressado em 1933 por concurso público. Algum tempo depois de voltar ao trabalho Nise foi convidada por um psiquiatra chefe do serviço para assistir uma sessão de eletrochoque e depois de o psiquiátra demonstrar a técnica, aplicando o eletrochoque em um paciente, mandou a doutora Nise apertar o botão e ela respondeu prontamente: "Eu não aperto o botão". Aí nasceu a psiquiatra rebelde que transformou as formas de tratar o doente mental e que realizou pequenas revoluções que ainda hoje ressoam em todos que procuram uma forma humana e digna de tratamento do sofrimento mental.
Nise da Silveira foi transferida para o serviço de terapêutica ocupacional e encontrou no uso terapêutico da atividade uma forma diferente tratar os doentes mentais. Aposentou a forma antiga de fazer terapêutica ocupacional em que usava-se a limpeza e a costura que auxiliavam na economia hospitalar e com muita criatividade, estudo e ousadia criou oficinas de pintura, modelagem, encadernação e muitas outras formas de expressividade através de atividades terapêuticas. Nise sabia encontrar as pessoas certas para o lugar certo e resgatou dos serviços burocráticos um jovem de nome Almir Mavignier que no seu afã de tornar-se artista plástico criou um ateliê de pintura e encontrou verdadeiros artistas para dividir com ele o ateliê. Nise e Almir encontraram artistas como Emygidio de Barros, Fernando Diniz e Raphael Domingues em que a força plástica de suas obras levaram a serem expostos em importantes museus do Brasil e do exterior.
Nise da Silveira desenvolveu na década de 50 do século passado uma pesquisa de revisão dos principais autores da terapia ocupacional na época no mundo, queria encontrar as bases teóricas de seu trabalho. Com uma bolsa do CNPQ encontrou na Alemanha com Simon, um dos pensadores da profissão na época. Outro encontro marcante foi com o psiquiatra suiço Carl Gustav Jung que abriu as portas do inconsciente para a psiquiatra brasileira. Nise relata no seu diário a emoção deste encontro. Conta que ao chegar à casa de Jung foi tomada pela inscrição "Invocado ou não Deus estará presente" inscrita em latim e esculpida em pedra.
Nise desenvolveu uma extensa obra, colecionou mais de 300 mil obras que hoje constituem o Museu de Imagens do Inconsciente no Rio de Janeiro. Conduziu o mais duradouro grupo de estudos independente no Brasil que durou de 1957 até poucos anos antes da sua morte em 1999. Nestes grupos foram tratados os mais diversos temas desde a psicologia junguiana até críticas a farra do boi que acontecia em Santa Catarina. Nise foi o elo de ligação entre gerações e agregou importantes aliados nas mais diversas áreas. Criou tecnologias em saúde mental que ainda hoje são inovadoras e desconhecidas. Enquanto a cultura e a ciência buscavam uma massificação do ser humano, Nise da Silveira construiu narrativas de pessoas com sofrimento mental que descortinam relações com a mitologia, antropologia, sociologia.
E com tudo isso suas criações que relacionam-se com a terapia ocupacional são desconhecidas por professores, profissionais e alunos da área. O mito de Nise da Silveira vive nomeando salas de congressos e Caps por todo Brasil, mas sua técnica é esquecida.

terça-feira, 10 de março de 2009

O CAPS de Várzea Paulista

O professor Bruno Bechara que também é docente do Unianchieta me contou que a formação em Cuba em terapia ocupacional tem 7000 horas que ocorrem todas dentro de um serviço de saúde. Nós brasileiros que temos uma estrutura curricular bem diferente, aprofundamos na teoria e depois unimos à prática.
Esta semana começamos o estágio do curso de terapia ocupacional no Caps de Várzea, o serviço de referência de saúde mental no município, foram apenas dois dias, segunda e terça no período da manhã. Duas manhãs intensas de aprendizagem e experiência humana.
Juntamente com as seis estagiárias do curso e uma turma de dez estagiárias da enfermagem conhecemos os pacientes do Caps, os funcionários e um pouco da cidade de Várzea Paulista. As estagiárias conheceram vários seres humanos que apesar da dor psíquica buscam um caminho para uma vida suportável e quem sabe mais perto de alguns momentos felizes. Contatos foram feitos e com muito afeto e coragem começaram a conquistar seu espaço dentro do CAPS Várzea.
A parceria do Unianchieta com a prefeitura de Várzea Paulista propicia aos alunos dos diversos cursos da área de saúde da universidade uma vivência na saúde pública que inestimável para a formação do profissional que irá trabalhar no SUS.
Podemos não aproximarmos do ideal de junção da teoria e da prática como se faz na formação do profissional de saúde em Cuba, mas estamos dando o primeiro passo para uma formação cada vez mais completa.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Ritmo e movimento

Continuando o assunto de ontem da relação entre a música e a terapia, conto agora a história de André de 79 anos, filho de imigrantes italianos e que tem Parkinson há 20 anos e nos últimos 2 anos está bem esquecido dos assuntos do cotidiano, suas lembranças hoje remetem à histórias que seu pai contava. É tratado com medicação específica para Parkinson, mas há 4 anos a medicação não está fazendo o efeito desejado e André está ficando cada vez mais paralisado. Avaliei André há um mês e ele começou a falar em uma voz trôpega histórias de Trento na Itália. Fatos que seu pai contava quando ele era criança, contou que seu pai foi coroinha na grande Igreja de Trento no final do século XIX na Itáia. Contou que seu avô tinha terras nesta região. Contou que sua mãe era da cidade de Ferrara, falou com facilidade da localização geográfica das duas cidades e parecia que conheceu as terras italianas que só ouviu pela boca dos pais. Contou que seu pai lia livros de Julio Verne e cantava valsas e músicas italianas com os irmãs. Brinquei com sua esposa que André sofria de saudadite de uma Itália que não conheceu.
Hoje André chegou ao Centro Dia de Idosos que trabalho no período da tarde. Veio andando com muita dificuldade com sua bengala e com um tremor muito acentuado. Ao sentar fica paralisado e seu tronco pende para o lado esquerdo, onde fica quase imóvel nesta posição. Constantemente os funcionários do centro de idosos o posicionam, mas logo ele volta para mesma posição. Se ninguém chega perto para conversar, ele permanece calado em sua posição congelada.
Hoje usamos o ipod e André ouviu chorinhos, óperas, músicas de Bach e Mozart. Depois de colocar a música e deixá-lo ouvindo óperas de Mozart por 10 minutos. Pedi para André levantar. Ele teve alguma dificuldade, mas andou sem a bengala, movimentou os braços e percebia que seu tremor diminuia muito em algumas músicas. Em uma delas o resultado foi mais acentuado e André andou com desenvoltura e falou com uma voz mais firme e fácil de entender ao escutar Alla Turca tocado pelo "Choro das Três".
Depois depois pediu para ouvir "Carinhoso", comentou da doçura da flauta e falou que estava sentindo seu corpo pela primeira vez em anos. "Eu achava que já não tinha um corpo, agora com a música, sintoi meus pés, pernas e mãos" falou isso ao mesmo tempo que mexia as partes do corpo e ouvia Pixinguinha tocando "Carinhoso".

terça-feira, 3 de março de 2009

Música e terapia

Hoje vou escrever sobre a relação da música com a terapia. Trabalho atualmente atendendo idosos e tenho bastante contato com pacientes com Parkinson, uma doença bem conhecida que afeta a motricidade destas pessoas e muitas vezes a deixa num estado de quase total paralisia, tendo muita dificuldade para iniciar qualquer movimento. Lendo o livro Alucionações Musicais do Oliver Sacks tomei conhecimento do poder terapêutica de músicas com ritmo bem marcado para o tratamento das pessoas acometidas pelo Parkinson. Coloquei algumas músicas com esta característica no meu ipod e apresentei para três pacientes com Parkinson e enquanto eles ouviam a música pedia para levantarem e andarem. A facilidade para iniciar foi muito maior de quando não ouviam música. Acredito que os terapeutas tem um caminho importante a percorrer estudando mais a música e seus potenciais terapêuticos.
Acredito que a terapia que leve em conta uma educação dos sentidos pode ser altamente valorizada neste mundo contemporâneo que nossos sentidos estão anestesiados e esquecidos. A música, os sabores, os odores, o tato precisam ser melhor estudados e incorporados nos processos terapêuticos.
A música acompanha o ser humano desde que ele virou homo sapiens, estudiosos da Universidade da Califórnia afirmam que o homem quando passou a morar em florestas tropicais imitava pássaros e sons e começou a desenvolver uma comunicação mais efetiva. O mais antigo instrumento musical que se tem notícia, uma faluta de osso de mamute, data de 35000 anos. Nestes anos todos o homem desenvolveu uma imensa capacidade de relacionar-se com a música e a música em si tem um poder terapêutico que muitas vezes esquecemos em nossa prática cotidiana.

segunda-feira, 2 de março de 2009

A defesa da tese da Taís Quevedo

Amigos marcam uma existência, a Taís e seu marido Léo são amigos destes que dispensam outros comentários. Na última sexta, dia 27 de fevereiro de 2009, a Taís defendeu sua tese de doutorado. Taís é terapeuta ocupacional e estuda a formação continuada destes profissionais.
Taís escreveu uma tese de mais de 500 páginas com informações, discussões e impressões muito sofisticadas e verdadeiras. Ela pesquisou um grupo de 7 terapeutas ocupacionais novatas que fazem residência em saúde mental na Unifesp. foram 18 encontros em que as participantes da pesquisa se dispuseram a escrever diários de aprendizagem e reflexão sobre o que é ser terapeuta ocupacional. Taís participou destes encontros em que fomentou a reflexão e também escreveu um diário narrativo pessoal deste processo. Poderia continuar contando sobre o trabalho da Taís, mas vou contar agora da defesa da tese de doutorado.
Uma defesa de tese é algo que mantém resquícios da tradição acadêmica, com banca, apresentação da tese, arguição da candidata e no final a orientadora da tese pede para as pessoas da platéia se retirarem para dar o veredito.
Mas com a Taís é tudo diferente, o clima foi muito informal, mesmo com os ritos terem todos sido realizados. Aconteceu um momento de real afeto em que a terapeuta ocupacional Jô Benneton, pediu uso da palavra e constatou naquele momento a importância do trabalho da Taís e emocionada pediu para dar um beijo e representando "uma grande mãe" foi ao encontro da Taís e lhe deu um abraço e um beijo quebrando o protocolo, mas colocando humanidade na cerimônia.
Uma frase dita por uma das integrantes sintetiza bem o que a Taís conseguiu com seu trabalho de doutorado: "Abriu as portas da incerteza para os terapeutas ocupacionais". A Taís propõe a formação de um profissional pensador e que use a incerteza como dínamo de seu processo de constante aprendizagem.
Ao ler a tese da Taís tive a sensaçãode manusear aquelas bonecas russas que você abre e encontra outra igual lá dentro. São tantos trabalhos importantes dentro da tese que não saímos da leitura do mesmo modo que entramos. Somos provocados a uma grande reflexão sobre a educação e o processo de formação profissional.
E a generosidade da Taís não acaba jamais. No final da apresentação ela convidou os presentes para um buffet de comidas árabes e brindou com todos a sua conquista. - Ave Taís.

domingo, 1 de março de 2009

O choro de uma mãe...

Ontem fui com minha esposa Francine e meus dois filhos no Sesc - Campinas num evento que visava estimular as diversas inteligências das crianças. Lá meus filhos brincaram no Giromaster, um simulador de gravidade zero; skate, videogame interativo e outras atividades estimuladoras. Lá encontramos uma mãe de um menino que fazia seu oitavo aniversário ontem. Começamos a conversar e ela contou a história de seu filho que aprendeu a ler sozinho aos 2 anos de idade e aos 4 anos teve uma crise em que ficou deprimido e agressivo porque queria aprender mais. nesse momento ela desaba em um choro de uma pessoa que precisou ser uma verdadeira leoa para salvar seu filho de um sistema educacional inapto para os superdotados intelectualmente. Ela conta que ela sofreu descriminação de outros pais e de diretores de escola que não entendiam que seu filho precisava de uma atenção especial. Só conseguiu vaga em uma escola particular de sua cidade que ela e seu marido que é vigia na Unicamp pagam a duras penas. Conta que seu filho hoje estuda na quarta série com crianças de dez anos e tem muita facilidade com o conteúdo escolar. Conta que mora em um bairro de periferia, onde o tráfico de drogas está muito presente e que meninos já ligados ao tráfico tem ciúmes e perseguem seu filho. Quando ela descobriu que minha esposa é psicóloga especializada em educação e mãe de crianças que apresentam habilidades acima da média, a mãe do menino superdotado se abriu ainda mais e as duas ficaram conversando sobre o quão difícil é ser mãe de crianças com inteligência e habilidades acima da média em nosso país. Parece que só estamos preparados para aproveitar a inteligência futebolística de nossos meninos que são exportados para todo o mundo e. Todas as outras habilidades são diluídas em uma educação que despreza o principal capital que transforma um país, o intelectual. Será que um dia acordaremos e não conderemos mais nossas crianças superdotadas ao sofrimento e ao preconceito?

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

O uso terapêutico das atividades

Imagens da história do uso das atividades na psiquiatria.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Série - História da Terapia Ocupacional

Olá para os novos visitantes deste blog. Estou postando abaixo um videocast sobre a história da terapia ocupacional. O texto é da terapeuta ocupacional Jô Benetton e o apoio para a publicação foi da Taís Quevedo