terça-feira, 3 de março de 2009

Música e terapia

Hoje vou escrever sobre a relação da música com a terapia. Trabalho atualmente atendendo idosos e tenho bastante contato com pacientes com Parkinson, uma doença bem conhecida que afeta a motricidade destas pessoas e muitas vezes a deixa num estado de quase total paralisia, tendo muita dificuldade para iniciar qualquer movimento. Lendo o livro Alucionações Musicais do Oliver Sacks tomei conhecimento do poder terapêutica de músicas com ritmo bem marcado para o tratamento das pessoas acometidas pelo Parkinson. Coloquei algumas músicas com esta característica no meu ipod e apresentei para três pacientes com Parkinson e enquanto eles ouviam a música pedia para levantarem e andarem. A facilidade para iniciar foi muito maior de quando não ouviam música. Acredito que os terapeutas tem um caminho importante a percorrer estudando mais a música e seus potenciais terapêuticos.
Acredito que a terapia que leve em conta uma educação dos sentidos pode ser altamente valorizada neste mundo contemporâneo que nossos sentidos estão anestesiados e esquecidos. A música, os sabores, os odores, o tato precisam ser melhor estudados e incorporados nos processos terapêuticos.
A música acompanha o ser humano desde que ele virou homo sapiens, estudiosos da Universidade da Califórnia afirmam que o homem quando passou a morar em florestas tropicais imitava pássaros e sons e começou a desenvolver uma comunicação mais efetiva. O mais antigo instrumento musical que se tem notícia, uma faluta de osso de mamute, data de 35000 anos. Nestes anos todos o homem desenvolveu uma imensa capacidade de relacionar-se com a música e a música em si tem um poder terapêutico que muitas vezes esquecemos em nossa prática cotidiana.

4 comentários:

Taty disse...

Nossa,ouvindo este relato,me traz a cada vez mais a sensação de que o que precisamos acima de tudo é estar plugados na tomada para compreender a grande necessidade de cada ser como sendo ÚNICO.
E o mais legal é saber que a profissão de Terapeuta Ocupacional fica cada dia mais necessária, porém precisa de seres iluminados como você Otávio,que consigam ver as pessoas dessa forma escrita por mim anteriormente.
E mais uma vez eu falo,vamos lá pessoal,fazer um trabalho de se auto-conhecer para ficar mais fácil olhar pro outro e entender o que está se passando com ele,independente da patologia.

Até

Taty

andre miolo disse...

José, legal seu modo de escrever sobre a relação entre a música e a possibilidade dela enquanto instrumentalidade na clínica.
Parabéns pelo blog
abç
andré

Orquestra e Coral Dias Com Arte disse...

Gostei muito e chego a conclusão que devemos nos aprofundar
muito mais no Mundo Mágico da Música
Att Rubens Suzano
www.diasconart.com

flavia galan galan disse...

Eu faço terapia ocupacional, tenho problema mental, isso é muito bom distrai a cabeça,esquece o seu passado tudo bola pra frente e vê o futuro que nos espera a cura...