sábado, 9 de maio de 2009

O estágio de terapia ocupacional no CAPS-Várzea Paulista


Estamos há 2 meses e pouco com 6 estagiários de terapia ocupacional no CAPS Várzea Paulista.
Hoje vamos postar um vídeo da inauguração do nosso laboratório de atividades e terapia ocupacional que é realizado em parceria com a UNIANCHIETA, o CAPS Várzea e a secretária de cultura de Várzea paulista.
Nesta inaguração tivemos a presença do grande artista Eufra Modesto que cantou músicas de Gonzagão e Renato Teixeira e nos presenteou com um causo.

sábado, 25 de abril de 2009

terça-feira, 21 de abril de 2009

Publicação polêmica do poeta Ferreira Gullar

Transcrevo abaixo o artigo do poeta Ferreira Gullar publicou na semana passada, vamos opinar sobre isso...

Uma lei errada
Campanha contra a internação de doentes mentais é uma forma de demagogia
ACAMPANHA contra a internação de doentes mentais foi inspirada por um médico italiano de Bolonha. Lá resultou num desastre e, mesmo assim, insistiu-se em repeti-la aqui e o resultado foi exatamente o mesmo.Isso começou por causa do uso intensivo de drogas a partir dos anos 70. Veio no bojo de uma rebelião contra a ordem social, que era definida como sinônimo de cerceamento da liberdade individual, repressão “burguesa” para defender os valores do capitalismo.
A classe média, em geral, sempre aberta a ideias “avançadas” ou “libertárias”, quase nunca se detém para examinar as questões, pesar os argumentos, confrontá-los com a realidade. Não, adere sem refletir.
Havia, naquela época, um deputado petista que aderiu à proposta, passou a defendê-la e apresentou um projeto de lei no Congresso. Certa vez, declarou a um jornal que “as famílias dos doentes mentais os internavam para se livrarem deles”. E eu, que lidava com o problema de dois filhos nesse estado, disse a mim mesmo: “Esse sujeito é um cretino. Não sabe o que é conviver com pessoas esquizofrênicas, que muitas vezes ameaçam se matar ou matar alguém. Não imagina o quanto dói a um pai ter que internar um filho, para salvá-lo e salvar a família. Esse idiota tem a audácia de fingir que ama mais a meus filhos do que eu”.
Esse tipo de campanha é uma forma de demagogia, como outra qualquer: funda-se em dados falsos ou falsificados e muitas vezes no desconhecimento do problema que dizem tentar resolver. No caso das internações, lançavam mão da palavra “manicômio”, já então fora de uso e que por si só carrega conotações negativas, numa época em que aquele tipo hospital não existia mais. Digo isso porque estive em muitos hospitais psiquiátricos, públicos e particulares, mas em nenhum deles havia cárceres ou “solitárias” para segregar o “doente furioso”. Mas, para o êxito da campanha, era necessário levar a opinião pública a crer que a internação equivalia a jogar o doente num inferno.
Até descobrirem os remédios psiquiátricos, que controlam a ansiedade e evitam o delírio, médicos e enfermeiros, de fato, não sabiam como lidar com um doente mental em surto, fora de controle. Por isso o metiam em camisas de força ou o punham numa cela com grades até que se acalmasse. Outro procedimento era o choque elétrico, que surtia o efeito imediato de interromper o surto esquizofrênico, mas com consequências imprevisíveis para sua integridade mental. Com o tempo, porém, descobriu-se um modo de limitar a intensidade do choque elétrico e apenas usá-lo em casos extremos. Já os remédios neuroléticos não apresentam qualquer inconveniente e, aplicados na dosagem certa, possibilitam ao doente manter-se em estado normal. Graças a essa medicação, as clínicas psiquiátricas perderam o caráter carcerário para se tornarem semelhantes a clínicas de repouso. A maioria das clínicas psiquiátricas particulares de hoje tem salas de jogos, de cinema, teatro, piscina e campo de esportes. Já os hospitais públicos, até bem pouco, se não dispunham do mesmo conforto, também ofereciam ao internado divertimento e lazer, além de ateliês para pintar, desenhar ou ocupar-se com trabalhos manuais.
Com os remédios à base de amplictil, como Haldol, o paciente não necessita de internações prolongadas. Em geral, a internação se torna necessária porque, em casa, por diversos motivos, o doente às vezes se nega a medicar-se, entra em surto e se torna uma ameaça ou um tormento para a família. Levado para a clínica e medicado, vai aos poucos recuperando o equilíbrio até estar em condições que lhe permitem voltar para o convívio familiar. No caso das famílias mais pobres, isso não é tão simples, já que saem todos para trabalhar e o doente fica sozinho em casa. Em alguns casos, deixa de tomar o remédio e volta ao estado delirante. Não há alternativa senão interná-lo.
Pois bem, aquela campanha, que visava salvar os doentes de “repressão burguesa”, resultou numa lei que praticamente acabou com os hospitais psiquiátricos, mantidos pelo governo. Em seu lugar, instituiu-se o tratamento ambulatorial (hospital-dia), que só resulta para os casos menos graves, enquanto os mais graves, que necessitam de internação, não têm quem os atenda. As famílias de posses continuam a por seus doentes em clínicas particulares, enquanto as pobres não têm onde interná-los. Os doentes terminam nas ruas como mendigos, dormindo sob viadutos.
É hora de revogar essa lei idiota que provocou tamanho desastre.

domingo, 19 de abril de 2009

Colóquio Unianchieta 2009


Os alunos dos cursos da área de saúde da Unianchieta apresentaram no sábado, 18 de abril de 2009 seus trabalhos de pesquisa no VI COLÓQUIO INTERDISCIPLINAR que teve o tema “Tecnologia Aplicada à Área da Saúde” .
Todos os cursos estiveram representados e coloco abaixo fotos e vídeos do colóquio.











domingo, 5 de abril de 2009

Estudo das atividades na terapia ocupacional

Um caminho na terapia ocupacional é o estudo das atividades que usamos como tecnologia nas diversas abordagens terapêuticas ocupacionais. Estou interessado em estudar mais atividades expressivas como dança, música e teatro usadas para promover saúde mental. Falarei mais nos próximos escritos.

domingo, 22 de março de 2009

Palestra Música e Saúde

Ontem, dia 21 de março de 2009, tive o prazer de realizar uma palestra sobre música e saúde no auditório Gaó no Conservatório Musical de Salto.
Mais do que do tema que apresentei, falo do conhecimento que surgiu no debate deste assunto num público composto por músicos, educadores, estudantes de músicas,psicólogos, musicoterapeutas, estudantes de terapia ocupacional e médicos que estiveram presente na palestra. No debate das idéias apresentadas surgiram colocações sensíveis de como o estudo da música pode ajudar na cura de uma depressão ou um ritmo musical como o samba pode resgatar uma pessoa com demência de Alzheimer da apatia. Uma fala feita pela minha esposa Francine me tocou muito, "a escola no ensino fundamental fecha a porta para música". uma participação muito pertinente foi da pianista e professora Elizabeth Milanez que falou de um método que desenvolve em que pede para o aluno conversar ao mesmo tempo que toca o piano e que isso melhora sua atenção e desempenho, ela falou também dos excelentes resultados que atingiu ao dar aula para uma aluna que era portadora de ?arkinson. Percebi um interesse muito grande dos músicos em como a música funciona no cérebro. Uma pergunta que surgiu para mim e para os educadores é como a música pode auxiliar na aprendizagem, na saúde, o que a música ensina para o nosso cérebro...
Existiu um interesse muito grande em um tema que achei que ia passar desapercebido, o ouvido absoluto. Os músicos e professores de música ficaram interessados em como se descobre que uma pessoa tem ouvido absoluto e o que fazer ao descobrir isso em um aluno. Debatemos também sobre a importância da educação sensível que busca desenvolver os sentidos humanos. Outro tema foi o do uso da música como recurso terapêutico em doenças como Parkinson e Alzheimer.
Gostaria de salientar a participação dos meus colegas de aula do primeiro ano de música do conservatório de Salto e dos alunos do curso de terapia ocupacional do Unianchieta de Jundiaí que lotaram uma van para vir até Salto.
Acredito que os alunos do Unianchieta tiveram a oportunidade de presenciar uma verdadeira discussão interdisciplinar que uniu arte, ciência e educação.
Agradeço o convite do Marco Antonio de Paula Leite e da diretora do conservatório Valéria Malimpensa e posso dizer que foi uma experiência emocionante debater sobre música, saúde e educação numa manhã de sábado no conservatório municipal de Salto.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Nise da Silveira

Nise da Silveira nasceu na primeira década do século passado na cidade de Macéio no estado de Alagoas. Filha única de uma pianista e um professor de matemática, a casa de Nise na infância permanecia sempre cheia com saraus regados a muita música e conversas sobre os mais variados assuntos. Nise contou em uma entrevista para o terapeuta ocupacional pernambucano Luiz Gonzaga que sua mãe sentava ao piano à espera da visita do sabiá laranjeira ao qual ela imitava seu canto com crescente maestria. Nise estudou em um colégio católico de meninas em que o francês e o latim eram matérias obrigatórias. Apaixonou-se pela geometria, ensinada de coração pelo seu pai. Entrou com 15 anos no curso de medicina. Foi a única mulher numa turma de mais de 100 homens na faculdade de medicina da Bahia. Defendeu uma tese sobre a crimilidade feminina em uma sessão em que seu pai esteve presente. Este foi um dos últimos encontros com seu pai que faleceu pouco tempo depois. Em entrevistas Nise relata que o falecimento do seu pai foi a maior tragédia de sua vida, gostava muito de sua mãe, mas era apaixonada por seu pai, em suas palavras de psicanalista: "um Édipo caprichado".
Para buscar esquecer este fato, Nise da Silveira junto com seu primo e companheiro Mário da Silveira, navegam para a capital federal e se instalam no bairro de Santa Teresa no Rio de Janeiro. Lá foram vizinhos do poeta Manuel Bandeira e do líder comunista Otávio Brandão na rua do Curvelo.
Nise foi presa, acusada de comunismo, no presidio Frei Caneca por um ano e quatro meses durante a ditadura Vargas. Ficou na mesma cela de Olga Benário e Elisa Berger que foram deportadas para Alemanha e morreram na mão do nazismo. Durante os tempos de prisão estudou muita filosofia e conheceu pessoas muito sábias como seu conterrâneo Graciliano Ramos que a colocou como uma das personagens do livro Memórias do Cárcere em que o escritor relata seu período de confinamento na prisão.
Depois de liberada da prisão, Nise passou alguns anos na clandestinidade e escondeu-se em estados do norte e nordeste do país. Nesta época seu marido serviu como médico sanistarista em bases militares internacionais no norte da África.
Em 1944, com a volta do regime democrático ao país, Nise da Silveira reassumiu sua vaga no serviço psiquiátrico que tinha ingressado em 1933 por concurso público. Algum tempo depois de voltar ao trabalho Nise foi convidada por um psiquiatra chefe do serviço para assistir uma sessão de eletrochoque e depois de o psiquiátra demonstrar a técnica, aplicando o eletrochoque em um paciente, mandou a doutora Nise apertar o botão e ela respondeu prontamente: "Eu não aperto o botão". Aí nasceu a psiquiatra rebelde que transformou as formas de tratar o doente mental e que realizou pequenas revoluções que ainda hoje ressoam em todos que procuram uma forma humana e digna de tratamento do sofrimento mental.
Nise da Silveira foi transferida para o serviço de terapêutica ocupacional e encontrou no uso terapêutico da atividade uma forma diferente tratar os doentes mentais. Aposentou a forma antiga de fazer terapêutica ocupacional em que usava-se a limpeza e a costura que auxiliavam na economia hospitalar e com muita criatividade, estudo e ousadia criou oficinas de pintura, modelagem, encadernação e muitas outras formas de expressividade através de atividades terapêuticas. Nise sabia encontrar as pessoas certas para o lugar certo e resgatou dos serviços burocráticos um jovem de nome Almir Mavignier que no seu afã de tornar-se artista plástico criou um ateliê de pintura e encontrou verdadeiros artistas para dividir com ele o ateliê. Nise e Almir encontraram artistas como Emygidio de Barros, Fernando Diniz e Raphael Domingues em que a força plástica de suas obras levaram a serem expostos em importantes museus do Brasil e do exterior.
Nise da Silveira desenvolveu na década de 50 do século passado uma pesquisa de revisão dos principais autores da terapia ocupacional na época no mundo, queria encontrar as bases teóricas de seu trabalho. Com uma bolsa do CNPQ encontrou na Alemanha com Simon, um dos pensadores da profissão na época. Outro encontro marcante foi com o psiquiatra suiço Carl Gustav Jung que abriu as portas do inconsciente para a psiquiatra brasileira. Nise relata no seu diário a emoção deste encontro. Conta que ao chegar à casa de Jung foi tomada pela inscrição "Invocado ou não Deus estará presente" inscrita em latim e esculpida em pedra.
Nise desenvolveu uma extensa obra, colecionou mais de 300 mil obras que hoje constituem o Museu de Imagens do Inconsciente no Rio de Janeiro. Conduziu o mais duradouro grupo de estudos independente no Brasil que durou de 1957 até poucos anos antes da sua morte em 1999. Nestes grupos foram tratados os mais diversos temas desde a psicologia junguiana até críticas a farra do boi que acontecia em Santa Catarina. Nise foi o elo de ligação entre gerações e agregou importantes aliados nas mais diversas áreas. Criou tecnologias em saúde mental que ainda hoje são inovadoras e desconhecidas. Enquanto a cultura e a ciência buscavam uma massificação do ser humano, Nise da Silveira construiu narrativas de pessoas com sofrimento mental que descortinam relações com a mitologia, antropologia, sociologia.
E com tudo isso suas criações que relacionam-se com a terapia ocupacional são desconhecidas por professores, profissionais e alunos da área. O mito de Nise da Silveira vive nomeando salas de congressos e Caps por todo Brasil, mas sua técnica é esquecida.

terça-feira, 10 de março de 2009

O CAPS de Várzea Paulista

O professor Bruno Bechara que também é docente do Unianchieta me contou que a formação em Cuba em terapia ocupacional tem 7000 horas que ocorrem todas dentro de um serviço de saúde. Nós brasileiros que temos uma estrutura curricular bem diferente, aprofundamos na teoria e depois unimos à prática.
Esta semana começamos o estágio do curso de terapia ocupacional no Caps de Várzea, o serviço de referência de saúde mental no município, foram apenas dois dias, segunda e terça no período da manhã. Duas manhãs intensas de aprendizagem e experiência humana.
Juntamente com as seis estagiárias do curso e uma turma de dez estagiárias da enfermagem conhecemos os pacientes do Caps, os funcionários e um pouco da cidade de Várzea Paulista. As estagiárias conheceram vários seres humanos que apesar da dor psíquica buscam um caminho para uma vida suportável e quem sabe mais perto de alguns momentos felizes. Contatos foram feitos e com muito afeto e coragem começaram a conquistar seu espaço dentro do CAPS Várzea.
A parceria do Unianchieta com a prefeitura de Várzea Paulista propicia aos alunos dos diversos cursos da área de saúde da universidade uma vivência na saúde pública que inestimável para a formação do profissional que irá trabalhar no SUS.
Podemos não aproximarmos do ideal de junção da teoria e da prática como se faz na formação do profissional de saúde em Cuba, mas estamos dando o primeiro passo para uma formação cada vez mais completa.