quarta-feira, 6 de outubro de 2010

1o Simpósio ReAbilitArte: Reabilitação neurolocomotora da bancada ao leito

A organização não governamental REABILITARTE, a qual sou colaborador, promove seu 1o Simpósio.
O evento ocorrerá nos dias 25 e 26 de novembro no novo auditório com acessibilidade universal da COPPETEC, UFRJ.
O interessante neste evento é a união de áreas interdisciplinares para discutir o futuro da reabilitação e os novos rumos com os avanços científicos e humanos nesta área.
A terapia ocupacional estará presente com 6 palestrantes.
Coloco abaixo a postagem da página do evento
http://www.reabilitarte.org/eventos.html

Simpósio ReAbilitArte:
Reabilitação neurolocomotora da bancada ao leito

Rio de Janeiro: 25 e 26 de novembro de 2010
Novo auditório da COPPETEC, UFRJ, Ilha do Fundão

O evento, apoiado pelo Instituto de Ciências Biomédicas (ICB/UFRJ), Pós-graduação em Ciências Morfológicas (PCM), Programa de Pesquisa em Neurociência Básico-Clínica (PNBC), e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), acontecerá no novo e acessível auditório da COPPETEC, no campus universitário da Ilha do Fundão.

O público alvo são estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, profissionais e docentes das áreas de ciências biológicas, biofísica, biomedicina, bioquímica, fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, enfermagem, psicologia, medicina, sociologia, saúde pública e afins.
O objetivo do simpósio é providenciar aos participantes uma oportunidade única de conhecer os novos conceitos em biociências translacionais, arte-terapia, neuroimagem, tecnologia assistiva, políticas públicas de sáude, educação, e discutir as aplicações práticas destes conhecimentos na reabilitação dos pacientes.

Tendo em vista a relevância e abrangência desta área pluridisciplinar, convidamos 20 conferencistas: cientistas, agentes de saúde e representantes da sociedade que trabalham pela reabilitação e diretos dos deficientes físicos

Contamos com sua presença !

Comissão organizadora
Bruno Rosa (FT, UNIFESP-Cochrane).
Cristina Zamarioli (MBA Executivo em Saúde-FGV).
Diogo Lana (FT, UFRJ).
Glaucia Löw Lopes (FT, UFRJ).
Jean-Christophe Houzel (PhD, ICB-UFRJ).
José Otavio Pompeu da Silva (TO, MSc. Fac. Medicina, UFRJ).
Luis Eduardo Nobre (FT, Hemorio, RJ).
Luisa Ketzer (IBqM, UFRJ).
Monique Carvalhaes (FT, UFRJ).
Paulo Louzada, (MD, PhD, ICB-UFRJ).
Pedro Guilhon (FT, UFRJ).
Renato de Paulo (IPhD, ICB-UFRJ).
Thais Ribeiro (FT, UFRJ).

Conselho científico
Ana Maria Blanco Martinez, PhD. (Coord. Prog.de Pesquisa em Neurociência Básico-Clínica,ICB-UFRJ)
Roberto Lent, MD, PhD. (Lab. de Neuroplasticidade, Prof. Titular, Diretor do ICB-UFRJ)
Silvana Allodi, PhD. (Coord. Programa de Biologia Celular e Desenvolvimento ICB-UFRJ)
Stevens Kastrup Rehen, PhD. (Lab. Nacional de Células-tronco, Diretor de Pesquisa do ICB, UFRJ).
Vivaldo Moura-Neto, MD, PhD. (Lab. de Morfogénese Celular, Prof. Titular, Coord. Progr. de PósGraduação em Ciências Morfológicas, ICB-UFRJ)

Programação preliminar (clique aqui)

Inscrições (clique aqui, vagas limitadas)

Apresentação de painéis
. Encorajamos a apresentação de trabalhos (exposição de painéis - formato livre). Após ter realizado sua inscrição on-line, envie seu resumo (máximo de 300 palavras) em anexo para simposio@reabilitarte.org até o DIA 29 DE NOVEMBRO DE 2010.
Você receberá confirmação pela comissão avaliadora.


segunda-feira, 14 de junho de 2010

UEPA - a terapia ocupacional bem representada na região amazônica



O curso de terapia ocupacional da UEPA em Belém no Estado do Pará já tem mais de 25 anos e uma estrutura de dar inveja para os cursos do sul e sudeste do país.
Encontramos mais de 40 salas de atendimento em conjunto com a fisioterapia e fonoaudiologia. Existem laboratórios de tecnologia assistiva e comunicação alternativa em pleno funcionamento com alunos confeccionando órteses e testando novos softwares e hardwares para substituição de tecnologia importada na área.
Conversei com alunos e professores que mostraram suas descobertas e invenções. Aprendi muito com a professora Dra. Ana Irene Alves de Oliveira, uma das fundadoras do curso de TO da UEPA, ela me contou sobre o projeto NEDETA que se propõe estudar e implementar através da avaliação e pesquisa, novos dispositivos de ajudas técnicas, substituindo a tecnologia importada por tecnologia brasileira e regionalizada, visando a melhoria no processo de (re) habilitação global, contribuindo para a mobilidade, comunicação e a acessibilidade de portadores de deficiências físicas, sensoriais e mental, utilizando recursos de baixo custo.
Também conheci o trabalho do Prof. Jorge Lopes Rodrigues que desenvolve com os alunos da terapia ocupacional uma oficina que substitui os altos custos do material termo plástico importado por órteses confeccionadas com sobras de PVC com alta qualidade, resolutividade e baixo custo. O professor Jorge é muito criativo e tem uma capacidade de um verdadeiro inventor de novas idéias e tecnologias.
Também conheci trabalhos que unem a terapia ocupacional com a fenomenologia, trazendo sofisticação teórica para esta profissão no Brasil. Os terapeutas ocupacionais formados no Pará estão em ótimas mãos e vão fazer a diferença num estado de dimensões continentais e com grandes necessidades na área social e de saúde.
Abaixo vocês podem ver fotos da UEPA e de seus laboratórios de terapia ocupacional.




segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Blog ativo novamente


Deixei o blog inativo por uns meses (férias do blog). Agora retomo o blog com postagem já em terras cariocas. Estou trabalhando na UFRJ, como professor do curso de terapia ocupacional.
Neste post falo sobre o carnaval e uma forma sofisticada de terapia ocupacional que é o uso da alegria e felicidade proporcionada pela maior festa brasileira no tratamento de pessoas com transtorno mental. Temos dois blocos especiais aqui no Rio.
Tá pirando, pirado, pirou ! - que desfilou ontem (07/08/2010) na avenida Pasteur na Urca com o enredo "Ser maluco é fácil, difícil é ser eu!
Loucura Suburbana - coloca no samba o pessoal do Instituto Municipal Nise da Silveira juntamente com moradores da região. O bloco sairá 11/02/10 às 15 horas no entorno do Instituto no Engenho de Dentro, Zona Norte do Rio de Janeiro.
Abaixo assista um vídeo feito sobre o bloco.




quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Flavia Liberman

A professora de terapia ocupacional Flávia Liberman propiciou uma vivência que marcou os alunos do UNIANCHIETA de Jundiaí. Com seu jeito espontâneo e criativo trouxe danças, trabalhos corporais e de improvisação que fizeram todos os participantes experimentarem uma forma sofisticada e inusitada de fazer terapia ocupacional. O vídeo abaixo mostra um pouco desta sutil sensibilidade.


quarta-feira, 8 de julho de 2009

Matéria da Folha de São Paulo

07/07/2009 - 08h34

Desconhecida, terapia ocupacional cresce

PATRÍCIA GOMES
da Folha de S.Paulo

FovestAdriana Zucker, 21, levou um ano para perceber que veterinária não era o que ela queria. Mudou de curso e de faculdade e, agora que concluiu o primeiro semestre, não tem mais dúvidas: vai aproveitar um mercado em expansão para se tornar uma terapeuta ocupacional.

A terapia ocupacional -ou t.o.- é um campo na área de saúde que cuida "do fazer das pessoas", segundo a professora Maria Auxiliadora Ferrari, coordenadora do curso do Centro Universitário São Camilo.

Ou seja, ajuda pacientes que, por algum motivo, não conseguem executar suas ações cotidianas a terem uma vida normal. Isso inclui desde funções mais simples, como torcer uma roupa, depois de uma tendinite, até outras mais complexas, como a recuperação de um dependente químico.

Unidades de saúde, consultórios particulares e consultoria a empresas são algumas das áreas em que esses profissionais podem trabalhar.

Apesar de ainda ser uma graduação desconhecida, a terapia ocupacional é regulamentada desde o fim dos anos 1960 e, principalmente da última década para cá, o campo de trabalho para os terapeutas vem se expandindo muito.

Segundo a professora Regina Rossetto, coordenadora de t.o. da Santa Casa e conselheira do Crefito 3 (Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional de SP), "está faltando gente" no mercado.

Com 25 anos de carreira, ela conta que nunca sofreu com a falta de emprego.

Segundo o Crefito 3, são 3.736 terapeutas ocupacionais habilitados no Estado de São Paulo. Desses, 1.046 estão na capital, onde o piso salarial, para uma jornada de 30 horas semanais, é de R$ 1.560.

Mesmo a maior popularização da profissão não impediu que Larissa Ferrari, 22, formanda em t.o. pelo Centro Universitário São Camilo, tivesse que explicar, muitas vezes nos últimos quatro anos, que ela não "ocupava o tempo das pessoas", mas trabalhava com promoção de saúde.

"Ninguém sabe o que é", diz Larissa, que também só ouviu falar na profissão quando um teste vocacional no ano do vestibular mostrou que ela deveria usar sua criatividade não no curso de artes cênicas, mas na terapia ocupacional.

Situação bastante familiar vive a vestibulanda Laís Magueta, 17, que, na dúvida entre enfermagem, psicologia e fisioterapia, escolheu prestar terapia ocupacional.

Numa sala de cursinho com cerca de 140 pessoas, ela é uma das poucas que vão prestar o curso e ainda não sabe ao certo o que esperar da graduação.

Das inúmeras vezes em que foi perguntada sobre o que fazia, Larissa teve trabalho para explicar que terapia ocupacional não é fisioterapia.

"Como os terapeutas ocupacionais também trabalham na área ortopédica, especialmente com a recuperação funcional dos membros superiores, muita gente confunde", afirma a terapeuta ocupacional Maria Auxiliadora Ferrari. O foco da fisioterapia, diz ela, "é o movimento", enquanto o da t.o. "é o indivíduo como um todo".

Apesar de ambas as áreas estarem reunidas em um mesmo conselho federal, o Coffito (Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional), uma não é ramificação da outra. "A t.o. é uma profissão com corpo científico e conhecimento próprio", diz a professora Regina Joaquim, coordenadora do curso da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). "Nos consideramos primos", diz a conselheira do Crefito 3.

Cursos

Assim como o mercado, a oferta de cursos também cresceu. Segundo dados do Inep (órgão de pesquisas do Ministério da Educação), havia, em 1999, 26 cursos presenciais de terapia ocupacional em todo o Brasil. Hoje, são cerca de 60.

O número de concluintes, ainda segundo o Inep, quase triplicou de 1999 para 2007: saltou de 381 para 1.062.


postado originalmente em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u591673.shtml

quinta-feira, 2 de julho de 2009

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Mais de 500 brinquedos arrecadados

A gincana da terapia ocupacional do Unianchieta chegou ao fim. Os alunos do curso mostraram todo seu potencial criativo e de mobilização social. A arrecadação de brinquedos para um projeto que realizaremos no bairro do Varjão em Jundiaí chegou ao número de 560 brinquedos arrecadados.
A equipe que ficou na primeira colocação foi formada pela Fabi, Mirela , Camila R. e Tati Negri. Parabéns a todas as equipes, considero todas vencedoras.
Abaixo coloco imagens da gincana. Isto são alunos de terapia ocupacional.

brinquedos de sucata




segunda-feira, 1 de junho de 2009

Imagens do Inconsciente

Nesse livro Nise da Silveira fala de sua teoria de investigação das imagens do inconsciente e apresenta sua metodologia de estudo biográfico dos pacientes por ela estudado.
Este livro foi escrito num período muito difícil da vida da psiquiatra que teve a ameaça de ficar cega por uma doença oftalmológica que lhe atingiu nesta época. Curada desta patologia, ficou com uma sequela que dificultou sua visão pelo resto da vida.
Outra curiosidade neste livro é que ele foi traduzido para o inglês e foi revisado nas terminologias junguianas por Marie-Louise Von Franz, discípula direta do próprio psiquiatra suiço Carl Gustav Jung.
O livro é extremamente cuidadoso no respeito com as fontes de pesquisa e mostra a retidão científica da doutora Nise da Silveira.
Como "Missão Possível" peço que tragam na quinta-feira um exemplar deste livro para a aula (vale 2 pontos). Se duas equipes trouxerem valerá a equipe que trouxer a edicão mais antiga.



terça-feira, 26 de maio de 2009

É brincando que se aprende... (texto de Rubem Alves)

No meu tempo parte da alegria de brincar estava na alegria de construir o brinquedo. Fiz caminhõezinhos, carros de rolemã, caleidoscópios, periscópios, aviões, canhões de bambu, corrupios, arcos e flechas, cataventos, instrumentos musicais, um telégrafo, telefones, um projetor de cinema com caixa de sapato e lente feita com lâmpada cheia d’água, pernas de pau, balanços, gangorras, matracas de caixas de fósforo, papagaios, artefatos detonadores de cabeças de pau de fósforo, estilingues.

Fazendo estilingues desenvolvi as virtudes necessárias à pesquisa: só se conseguia uma forquilha perfeita de jaboticabeira depois de longa pesquisa. Pesquisava forquilhas - as mesmas que inspiraram Salvador Dali - exercendo minhas funções de ´controle de qualidade´ - arte que alguns anunciam como nova mas que existiu desde a criação do mundo: Deus ia fazendo, testando e dizendo, alegre, que tinha ficado muito bom. Eu ia comparando a infinidade de ganchos que se encontravam nas jaboticabeiras com o gancho ideal, perfeito, simétrico, que existia em minha cabeça. Pois ´controle de qualidade´ é isso: comparar o ´produto´ real com o modelo ideal. As crianças já nascem sabendo o essencial. Na escola, esquecem.

Os grandes, morrendo de inveja mas sem coragem para brincar, brincavam fazendo brinquedos. As mães faziam bonecas de pano, arte maravilhosa hoje só cultivada por poucas artistas. As mães modernas são de outro tipo, sempre muito ocupadas, correndo prá lá e prá cá, motoristas, levando as crianças para aula de balê, aula de judô, aula de inglês, aula de equitação, aula de computação - não lhes sobra tempo para fazer brinquedos para os filhos. ( Será que as crianças de hoje sabem que os brinquedos podem ser fabricados por eles?). Hoje, quando a menina quer boneca, a mãe não faz a boneca: compra uma boneca pronta que faz xixi, engatinha, chora, fala quando a gente aperta um botão, e é logo esquecida no armário dos brinquedos. Pobres brinquedos prontos! Vindo já prontos, eles nos roubam a alegria de fazê-los. Brinquedo que se faz é arte, tem a cara da gente. Brinquedo pronto não tem a cara de ninguém. São todos iguais. Só servem para o tráfico de inveja que move pais e filhos, como esse tal ´bichinho virtual...´

Fiquei com vontade de fazer um sinuquinha. Naquele tempo não havia para se comprar. Mesmo que houvesse não adiantava: a gente era pobre. Como tudo o que vale a pena nesse mundo, a fabricação começava com um ato intelectual: pensamento: quem deseja pensa. O pensamento nasce no desejo. Era preciso, antes de construir o sinuquinha de verdade, construir o sinuquinha de mentira, na cabeça. Essa é a função da imaginação. Antes de Piaget eu já sabia os essenciais do construtivismo: meu conhecimento começava com uma construção mental do objeto. Diga-se, de passagem, que o homem vem praticando o construtivismo desde o período da pedra lascada. Piaget não descobriu nada: ele só descreveu aquilo que os homens ( e mesmo alguns animais ) sempre souberam.

Era preciso uma táboa larga e plana, flanela, madeiras e borracha de pneu de bicicleta para as tabelas; as caçapas seriam feitas de meias velhas. As bolas, de gude. Os tacos, cabos de vassoura. Preparei-me para fabricar o objeto dos meus sonhos. Meu pai, que era viajante, estava em casa naquele fim de semana. Ofereceu-se para me ajudar, contra a minha vontade. Valendo-se de sua autoridade, tomou a iniciativa. Pegou do serrote e pôs-se a serrar os cantos da tábua, no lugar das caçapas. Meu pai operou com uma lógica simples: se um buraquinho pequeno, que mal dá para passar uma bolinha, dá um ´x´ de prazer a uma criança, um buraco dez vezes maior dará à criança dez vezes mais prazer. E assim pôs-se a serrar buracos enormes nos ângulos da tábua. Eu protestava, desesperado: ´ - Pai, não faz isso não!´ Inutilmente. Confiante no seu saber ele levou a sua lógica até as últimas consequências. Fez o sinuquinha. Só que nunca joguei uma única partida com os meus amigos. Por uma simples razão: quem começava o jogo encaçapava todas as bolinhas. Com buracos daquele tamanho, não tinha graça. Era fácil demais. A facilidade destruiu a alegria do brinquedo. A alegria de um brinquedo está, precisamente, na sua dificuldade, isto é, no desafio que ele apresenta.

Deliciei-me com uma estoria do ´Pato Donald´. O professor Pardal, cientista, resolveu dar como presente de aniversário ao Huguinho, Zezinho e Luizinho, brinquedos perfeitos. Fabricou uma pipa que voava sempre, mesmo sem vento. Um pião que rodava sempre, mesmo que fosse lançado do jeito errado. E um taco de beisebol que sempre acertava na bola, mesmo que o jogador não estivesse olhando para ela. Mas a alegria foi de curta duração. Que graça há em se empinar uma pipa, se não existe a luta com o vento? Que graça há em fazer rodar um pião se qualquer pessoa, mesmo uma que nunca tenha visto um pião, o faz rodar? Que graça há em ter um taco que joga sozinho? Os brinquedos perfeitos foram logo para o monte lixo e os meninos voltaram aos desafios e alegrias dos brinquedos antigos.

Todo brinquedo bom apresenta um desafio. A gente olha para ele e ele nos convida para medir forças. Aconteceu comigo, faz pouco tempo: abri uma gaveta e um pião que estava lá, largado, fazia tempo, me desafiou: ´ - Veja se você pode comigo!´ Foi o início de um longo processo de medição de forças, no qual fui derrotado muitas vezes. É preciso que haja a possibilidade de ser derrotado pelo brinquedo para que haja desafio e alegria. A alegria vem quando a gente ganha. No brinquedo a gente exercita o que Nietzsche denominou ´vontade de poder´.

Brinquedo é qualquer desafio que a gente aceita pelo simples prazer do desafio - sem nenhuma utilidade. São muitos os desafios. Alguns são desafios que tem a ver com a habilidade e a força física: salto com vara, encaçapar a bola de sinuca; enfiar o pino do bilboquê no buraco da bola de madeira. Outros tem a ver com nossa capacidade para resolver problemas lógicos, como o xadrez, a dama, a quina. Já os quebra-cabeças são desafios à nossa paciência e à nossa capacidade de reconhecer padrões.

É brincando que a gente se educa e aprende. Cada professor deve ser um ´magister ludi´¸ como no livro do Hermann Hesse. Alguns, ao ouvir isso, me acusam de querer tornar a educação uma coisa fácil. Essas são pessoas que nunca brincaram e não sabem o que é o brinquedo. Quem brinca sabe que a alegria se encontra precisamente no desafio e na dificuldade. Letras, palavras, números, formas, bichos, plantas, objetos (ah! o fascínio dos objetos!), estrelas, rios, mares, máquinas, ferramentas, comidas, músicas - todos são desafios que olham para nós e nos dizem: ´Veja se você pode comigo!´ Professor bom não é aquele que dá uma aula perfeita, explicando a matéria. Professor bom é aquele que transforma a matéria em brinquedo e seduz o aluno a brincar. Depois de seduzido o aluno, não há quem o segure.

Professor bom não é aquele que dá uma aula perfeita, explicando a matéria. Professor bom é aquele que transforma a matéria em brinquedo e seduz o aluno a brincar. Depois de seduzido o aluno, não há quem o segure.

Para saber mais sobre Rubem Alves clique aqui.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A diversão de brincar e contar histórias em um hospital

O programa Caminhos Alternativos da rádio CBN apresentou no sábado uma excelente matéria sobre o uso do brincar e da contação de histórias em um hospital dia para crianças com distúrbios mentais no Hospital das Clínicas em São Paulo.
Clique aqui para escutar o programa na íntegra.